O horizonte inconsistente do deserto do Atacama

Um fascínio recente em viagens é a exploração de naturezas inóspitas e paisagens específicas de um só lugar.

O Deserto do Atacama sempre foi um lugar especial na nossa lista e até que demorou para conseguirmos colocá-lo em prática. Escolhemos como época o verão. Mas se tratando de um deserto, as noites são sempre frias. Então fomos com aquela mala gigante de brasileiro, com metade das roupas de calor e metade de frio. O Atacama fica a 2.400 metros acima do mar e com baixíssima umidade do ar, então havíamos lido para levar os mais fortes protetores e que devíamos usar muitos óleos e hidratantes o tempo todo. Bom, mais uma nécessaire gigante pra bagagem.

Decidimos ficar num hotel não exatamente no centro da cidade de São Pedro do Atacama, próximo ao Valle de la Muerte. Mas como alugaríamos um carro, estaríamos mais perto das estradas. Não curtimos muito passeios em grupo ou excursões, então baixamos apps de guias e mapas off-line e fomos por conta própria.

Primeiro dia partimos para o Valle de la Luna, e tem esse nome não é à toa. O cenário mistura um imenso deserto com pedras soltas e montanhas. Areias avermelhadas e brancas e um horizonte a perder de vista.

No Chile, são aproximadamente 95 vulcões ativos, então o relevo vulcânico traz um toque especial à paisagem. Dá pra subir numa das dunas e ter uma vista panorâmica incrível lá de cima. Vou citar os lugares com maior destaque:

Lagunas Antiplanicas. Lindas de se ver.

Lagunas Escondidas. São 5 lagoas com água extremamente salgada a ponto de te fazer flutuar. Só é permitido entrar na primeira e na última lagoa. Uma dica importante que não seguimos. Mergulhe primeiro na última lagoa e depois na primeira, pois fizemos o inverso e torramos no sol com nosso corpo lotado de sal. A caminhada até a última lagoa demora uns 20 minutos e não é permitido protetor solar no corpo. A água é impressionantemente azul florescente, e gelada de dar dó.

Vulcões Licancabur e Juriques. Estão sempre por perto, um ao lado do outro.

Geyser El Tatio. A 4.320 metros de altura ficam aproximadamente 67 gêiseres ativos e seu horário de maior força é entre 6:00 e 7:00 da manhã. Para isso, acordamos às 4:30 e dirigi por 2 horas subindo uma serra num breu total em que somente 1 carro cruzou por nós na estrada inteira. Valeu a pena. Resquícios de neve do inverno e gêiseres ativos cuspindo água fervente e gases. Acho incrível quando consigo vivenciar efetivamente algo que estudei quando pequena, e conseguir ver uma formação vulcânica agindo e ativa. Fiquei paralisada com isso. Uma névoa branca, águas que explodem e de repente param de subir. Uma conversa entre eles. Cada hora um se expressa e estoura. E você fica ali no meio, pequeno, observador, explorador, que conquistou aquela sensação de poder estar ali, naquele instante.

Viajar de carro pelo Atacama é construir seu próprio destino. As estradas mudam a cada virada de direção. Ora terra, ora areia, vegetação, montanhas, dunas, vulcões, chuva, sol, sombra, neve. A sombra tem um aspecto relevante. Na cidade, uma nuvem no céu é só uma nuvem no céu. No deserto, ela desenha o chão e escurece o tom de vermelho da areia. Quando você está no comando da direção, você se sente muito mais parte daquela paisagem.

Como carioca de um Rio 40º, e amante da neve, achei as instruções de viagem um tanto exageradas.

O sol é quente, é.

A madrugada é fria, é.

O ar é seco, é.

Mas nada desse desespero todo. Acho que estamos mais costumados com o calor.

Minhas dicas são: 1 protetor, 1 hidratante e 1 Bepantol para a boca. E sanduíches para o dia todo! Todos os passeios de tour incluem lanches. Mas como estávamos por conta própria, levávamos sanduíches e biscoitos para sobreviver o dia todo. À noite, parávamos direto na cidade para jantar e brindar o dia com uma Kunstmann ou uma Austral, cervejas locais.

Como resumo, 1.400 fotos e uma absorção de cores suaves e quentes com verdes e azuis muito próprios. Paisagens que servirão de muita inspiração para formas e tonalidades abstratas. Esse quadro pintei logo após a viagem. Coincidentemente ou não, muitos identificam nele um anoitecer no deserto.

MaryDutra_AbstratoAzul_Travel_Desert_Atacama-41

Fotos: Mary Dutra e Caio Rodrigues
Tratamento e seleção: Mary Dutra
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Mary Dutra é artista plástica, empreendedora, fotógrafa, viajante, criativa, fundadora do Abstrato Azul. Inspirar é o guia de seu trabalho e viajar é onde ela capta suas referências e desconstrói seu olhar. Com uma bagagem de 12 anos como diretora de empresas e 15 anos como pintora e fotógrafa, hoje se dedica à produção de seus quadros, aos cursos de arte e aos projetos inspiradores. Fala 5 línguas pois entende que o mundo não tem barreiras e quer ultrapassar todas elas. Já expôs seus quadros em NY, estudou arte na Itália e visitou mais de 35 países. Seu maior orgulho é ter visto a aurora boreal numa sensação térmica de -44˚C.

Seu tempo é curto e suas viagens são sua fuga e captação de energia.

A convite da Trópica, se juntou a esse time que pretende compartilhar suas mais incríveis experiências. Sua máquina fotográfica vai sempre junto, como extensão de seu hd de memórias.

instagram: @art_marydutra

www.abstratoazul.com.br

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